24.5.07
21.2.07
Se eu pudesse..
mandava todas as pessoas burras para vénus.
fazia o carnaval ser um mês.
juntava todas as flores do mundo num ramo só.
pintava todas as roupas de cor-de-rosa.
gritava alto todas as manhãs.
e depois,
dormia até me apetecer.
fazia o carnaval ser um mês.
juntava todas as flores do mundo num ramo só.
pintava todas as roupas de cor-de-rosa.
gritava alto todas as manhãs.
e depois,
dormia até me apetecer.
30.12.06
Conheci uma menina (XVIII) - a Vera não morreu.
A Vera mora comigo, agora. É uma miúda fantástica. Esta semana estive a tentar ensinar-lhe, mais que em todos os outros dias, valores importantes. Expliquei-lhe que as pessoas boas habitam a nossa vida todos os dias e que só temos de fazer um esforço para que também nos reconheçam como tal. Que nem sempre corre tudo bem, mas que, apesar de tudo, quer queiram quer não, farão sempre parte da nossa vida.
Num destes dias, enquanto estávamos a lanchar, expliquei à Vera que, o que importa, é fazer ver às pessoas boas, que nós partilhamos os mesmos valores. E que era neste capítulo que entravam as boas acções, a amizade, o dar a mão.
Ao que ela me perguntou:
-Há um menino na minha sala que é bonzinho. Gosto muito dele. Mas ele não fala comigo. Achas que devia ir dar a mão a ele no recreio? Ele tem sempre as mãos cheias de areia.
Só pude conter uma gargalhada e continuar:
-Dar a mão.. Imagina que esse menino caía num buraco muito grande. Tinhas de lhe dar a mão para o ajudar a sair de lá, não é?
-Pois. - e como é fantasticamente inteligente, - O.K. Dar a mão é como tirar o Miguel do buraco.
-Sim Vera.
-Dar a mão é ajudar.
Por dentro rejubilei. É tão bom poder partilhar a minha vida com uma miúda como a Vera.
Soube desde a primeira vez que a vi que aqueles olhos grandes ser-me-iam confiados.
Nisto, o copo de leite com chocolate da Vera cai ao chão, estilhaçando-se.
-Aiiii! Dá-me a mão!
Enquanto apanhava os vidros e lhe limpava o vestido branco, não pude conter o riso.
Num destes dias, enquanto estávamos a lanchar, expliquei à Vera que, o que importa, é fazer ver às pessoas boas, que nós partilhamos os mesmos valores. E que era neste capítulo que entravam as boas acções, a amizade, o dar a mão.
Ao que ela me perguntou:
-Há um menino na minha sala que é bonzinho. Gosto muito dele. Mas ele não fala comigo. Achas que devia ir dar a mão a ele no recreio? Ele tem sempre as mãos cheias de areia.
Só pude conter uma gargalhada e continuar:
-Dar a mão.. Imagina que esse menino caía num buraco muito grande. Tinhas de lhe dar a mão para o ajudar a sair de lá, não é?
-Pois. - e como é fantasticamente inteligente, - O.K. Dar a mão é como tirar o Miguel do buraco.
-Sim Vera.
-Dar a mão é ajudar.
Por dentro rejubilei. É tão bom poder partilhar a minha vida com uma miúda como a Vera.
Soube desde a primeira vez que a vi que aqueles olhos grandes ser-me-iam confiados.
Nisto, o copo de leite com chocolate da Vera cai ao chão, estilhaçando-se.
-Aiiii! Dá-me a mão!
Enquanto apanhava os vidros e lhe limpava o vestido branco, não pude conter o riso.
9.11.06
somebody's baby
haven't laughed this hard in a long time
i better stop
now before I start crying
go off to sleep in the
sunshine
i don't want to see the day when it's
dying
she's a sight to see, she's good to
me
but i'm already somebody's baby
i better stop
now before I start crying
go off to sleep in the
sunshine
i don't want to see the day when it's
dying
she's a sight to see, she's good to
me
but i'm already somebody's baby
4.11.06
2.11.06
Gostar.
“Fico espantada quando dizem que gostam de mim (…) Não gosto da maioria das pessoas.”
Agustina Bessa Luís
Agustina Bessa Luís
19.9.06
Fala.
Fala a sério e fala no gozo
Fá-la pela calada e fala claro
Fala deveras saboroso
Fala barato e fala caro
Fala ao ouvido fala ao coração
Falinhas mansas ou palavrão
Fala à miúda mas fá-la bem
Fala ao teu pai mas ouve a tua mãe
Fala francês fala béu-béu
Fala fininho e fala grosso
Desentulha a garganta levanta o pescoço
Fala como se falar fosse andar
Fala com elegância - muito e devagar.
Alexandre O'Neil
Fá-la pela calada e fala claro
Fala deveras saboroso
Fala barato e fala caro
Fala ao ouvido fala ao coração
Falinhas mansas ou palavrão
Fala à miúda mas fá-la bem
Fala ao teu pai mas ouve a tua mãe
Fala francês fala béu-béu
Fala fininho e fala grosso
Desentulha a garganta levanta o pescoço
Fala como se falar fosse andar
Fala com elegância - muito e devagar.
Alexandre O'Neil
9.9.06
29.7.06
Conheci uma menina (XVII) - local heroes and international superstars.
Estávamos todos. A Vera, eu, e os amigos e os amantes. Havia amor no ar. Inundámos a estação dos comboios de uma paixão avassaladora, potente, com crosta de indestrutível, sob os 43ºC que se faziam sentir. Tínhamos, nós as meninas, as t-shirts, os tops, os bikinis, as saias e as calças coladas ao corpo. Havia suor a saber a sal e escorria pelas nossas pernas. Os rapazes, mais ou menos desportivos, mais ou menos bronzeados, traziam as camisas ou as t-shirts amarrotadas. Pudera, a viagem de carro tinha sido estafante, e os seus ombros foram colos irrepreensíveis na cura dos nossos sonos, atrasados. Para além disso, estávamos todos bem-dispostos. Ganchos no cabelo, malas coloridas, chinelos nos pés queimados - nós. Cabelo queimado do sol, bronze fantástico e namoradas bonitas - eles.
De vez em quando fazíamos beicinho, provocávamos. Gostávamos de saber que eles viviam por nós. Pedíamos que nos dessem as garrafas de água, morna, e ao bebê-la com sofreguidão acabávamos por entorná-la em nós. Era de propósito, nós sabíamos e eles também. Mas mesmo assim não deixávamos de fazer a cena do 'oh e agora?'. Vestidas de uma roupa que era nada mais que isso mesmo, transparente, eles sentiam-nos quentes, queridas, prontas e soltas.
Ao fim de cerca de 20 minutos, o comboio chegava.
Corremos todas as carruagens, já em andamento, na procura de uma zona onde houvessem lugares suficientes para irmos juntos.
Ocupámos os lugares vazios de alguém que nao comprara aqueles bilhetes e seguimos. Os corpos latejavam e colavam-se. 37ºC.
A viagem fazia sentir-se longa, por isso, esperámos. Afinal, o ano tinha sido passado a desesperar.
De vez em quando fazíamos beicinho, provocávamos. Gostávamos de saber que eles viviam por nós. Pedíamos que nos dessem as garrafas de água, morna, e ao bebê-la com sofreguidão acabávamos por entorná-la em nós. Era de propósito, nós sabíamos e eles também. Mas mesmo assim não deixávamos de fazer a cena do 'oh e agora?'. Vestidas de uma roupa que era nada mais que isso mesmo, transparente, eles sentiam-nos quentes, queridas, prontas e soltas.
Ao fim de cerca de 20 minutos, o comboio chegava.
Corremos todas as carruagens, já em andamento, na procura de uma zona onde houvessem lugares suficientes para irmos juntos.
Ocupámos os lugares vazios de alguém que nao comprara aqueles bilhetes e seguimos. Os corpos latejavam e colavam-se. 37ºC.
A viagem fazia sentir-se longa, por isso, esperámos. Afinal, o ano tinha sido passado a desesperar.
19.6.06
13.6.06
Oh-quero-lá-saber. 2.
Mamã, se vir um episódio completo da Floribella os meus filhos vão nascer com deficiências?
10.6.06
Intoxicação 14
eu só queria que tu gostasses de mim.
um bocadinho, quando tivesses tempo.
ou à hora do almoço.
na sesta.
eu queria que gostasses um bocadinho.
quando não tivesses mais nada para fazer.
que chamasses catarina, catarina, mesmo a dormir.
de fora de ti.
que fosses passear e gostasses do meu nome inscrito em todas as coisas.
a jogar às cartas, que eu fosse pequenina.
queria que tu olhasses para todas, e soubesses que o meu cheiro nao era aquele.
sem pensar nisso.
só um bocadinho.
queria que te perdesses nas palavras e em todas lesses catarina.
que te aparecessem, em sonhos ou jogos de futebol, as cores do meu cabelo.
ou em qualquer lado.
queria que risses de cada vez que alguém dissesse o meu nome.
e que morresses de cada vez que o meu perfume passasse por ti,
na ausência,
no não ser eu, nem tu.
um bocadinho, quando tivesses tempo.
ou à hora do almoço.
na sesta.
eu queria que gostasses um bocadinho.
quando não tivesses mais nada para fazer.
que chamasses catarina, catarina, mesmo a dormir.
de fora de ti.
que fosses passear e gostasses do meu nome inscrito em todas as coisas.
a jogar às cartas, que eu fosse pequenina.
queria que tu olhasses para todas, e soubesses que o meu cheiro nao era aquele.
sem pensar nisso.
só um bocadinho.
queria que te perdesses nas palavras e em todas lesses catarina.
que te aparecessem, em sonhos ou jogos de futebol, as cores do meu cabelo.
ou em qualquer lado.
queria que risses de cada vez que alguém dissesse o meu nome.
e que morresses de cada vez que o meu perfume passasse por ti,
na ausência,
no não ser eu, nem tu.
30.5.06
outro dia 30. sabes, é que gosto de ti. conheci uma menina (III) - replay. patrícia.
A tarde estava serena e bonita. E quente, quando as nuvens se decidiam a passar.
Sentei-me, enfim, no chão do jardim do hospital. Santa Maria é um sítio calmo. Com uma paz arrepiante por fora. Grande e impessoal. Estiquei as pernas num acto de inutilidade e absoluta impotência. E fez-me falta alguém que me gritasse.
A Vera apareceu então, vestida de cores berrantes. Fez-me doer os olhos.Vinha felicíssima. Trazia na mão um molho de flores lilases. Quando me viu, correu na minha direcção, atirou-se-me ao pescoço e fez-me cair para trás. E ficámos com as ervas secas coladas à roupa triste. Ria muito e queria falar ao mesmo tempo.
A Vera está cada vez mais bonita. O que, de todo, não lhe garante absolutamente nada.
Sentei-me, enfim, no chão do jardim do hospital. Santa Maria é um sítio calmo. Com uma paz arrepiante por fora. Grande e impessoal. Estiquei as pernas num acto de inutilidade e absoluta impotência. E fez-me falta alguém que me gritasse.
A Vera apareceu então, vestida de cores berrantes. Fez-me doer os olhos.Vinha felicíssima. Trazia na mão um molho de flores lilases. Quando me viu, correu na minha direcção, atirou-se-me ao pescoço e fez-me cair para trás. E ficámos com as ervas secas coladas à roupa triste. Ria muito e queria falar ao mesmo tempo.
A Vera está cada vez mais bonita. O que, de todo, não lhe garante absolutamente nada.
23.5.06
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