20.9.05
17.9.05
16.9.05
15.9.05
9.9.05
Conheci uma menina (VII)
E desci as escadas do 2º para o 1º andar carregada de bagagem: malas, sacos, malinhas, mochilas.
Estava tudo tão pesado. Demasiado pesadas, as lágrimas.
Sentada no meu sofá estava a Vera. "Já não te consigo ouvir mais, minha pequena", pensei.
Tinha um vestido branco, o cabelo penteado e os olhos a confudir-se com o verde do sofá. Sentei-me perto dela, com a expressão de quem não tem paciência para birras.
-Vera, eu tenho de ir. O que é que querias?
-Ir contigo.
-Vera, vê se me ouves. Por mais minha que te sinta, não te posso levar assim. Não está bem.
Levantou-se, poderosa. Dona de si. Ficou parada, à espera que lhe pedisse desculpa ou que alguma vez reconsiderasse levá-la comigo. Não te levo. Nunca me dás o braço a torcer mas eu sou mais orgulhosa que tu. São mais anos de orgulho. Deixa-te estar. Um dia venho ter contigo de novo. Para a semana..
Saio porta fora e a Vera pega na mochila cor-de-rosa. Dás-me a mão e seguimos viagem juntas, como sempre.
Estava tudo tão pesado. Demasiado pesadas, as lágrimas.
Sentada no meu sofá estava a Vera. "Já não te consigo ouvir mais, minha pequena", pensei.
Tinha um vestido branco, o cabelo penteado e os olhos a confudir-se com o verde do sofá. Sentei-me perto dela, com a expressão de quem não tem paciência para birras.
-Vera, eu tenho de ir. O que é que querias?
-Ir contigo.
-Vera, vê se me ouves. Por mais minha que te sinta, não te posso levar assim. Não está bem.
Levantou-se, poderosa. Dona de si. Ficou parada, à espera que lhe pedisse desculpa ou que alguma vez reconsiderasse levá-la comigo. Não te levo. Nunca me dás o braço a torcer mas eu sou mais orgulhosa que tu. São mais anos de orgulho. Deixa-te estar. Um dia venho ter contigo de novo. Para a semana..
Saio porta fora e a Vera pega na mochila cor-de-rosa. Dás-me a mão e seguimos viagem juntas, como sempre.
5.9.05
2.9.05
31.8.05
29.8.05
Itinerante.
Arrepiante. Impressionante. Distante.
Adiante.
Constante. Inconstante. Sufocante. Brilhante.
Gigante. Sussurante. Rastejante. Cintilante. Importante. Irritante.
Amante.
Ignorante. Dante. Farsante.
Borbulhante. Frustrante.
O mastigar das palavras tira-lhes o sentido.
Faz de conta que escrevi alguma coisa inteligente.
Adiante.
Constante. Inconstante. Sufocante. Brilhante.
Gigante. Sussurante. Rastejante. Cintilante. Importante. Irritante.
Amante.
Ignorante. Dante. Farsante.
Borbulhante. Frustrante.
O mastigar das palavras tira-lhes o sentido.
Faz de conta que escrevi alguma coisa inteligente.
28.8.05
8.8.05
Conheci uma menina (VI)
..E depois de tudo o que rimos, deixo-me adormecer ao teu lado. Aninhas-te na minha curva da cintura e passo-te os dedos no cabelo, a pentear-te.
A Vera passou aqui em casa hoje cedo. Vinha tão feliz que não tive coragem nem descaramento de lhe falar sobre o que sentia. Até porque não entenderia. De qualquer forma, seria uma boa ouvinte. Sabe ouvir, aquela miúda. Abre os olhos verdes, fixa-os nos meus, e fica assim. Fala só de vez em quando, quando lhe peço opinião.
Disse-me que era maluca por gelatina de morango e fiz-lhe a vontade. Saímos de casa de mãos dadas. Ela, pequenina, de vestido branco, com uns óculos de sol amarelos. Eu, maior, perdida de mim e achada nela. Fomos de mão dada ao super-mercado comprar gelatina. A Verinha quis voltar para casa logo que pagámos a nossa sobremesa; e atravessámos a rua a correr. Como duas doidas. Contou-me que vira o Filipe na praia e que estiveram a brincar juntos. Estava radiante, os olhos quase a saltar das órbitas. Fiquei deliciada.
Preparámos tudo e quando a Vera decidiu que a gelatina devia ser virada como as panquecas, escancarámos o riso ao pensar em quantos pedaços a nossa sobremesa estaria dividida por toda a cozinha.
Tomámos banho de mangueira na varanda das traseiras, jogámos na minha velhinha Mega Drive e ficámos a cantarolar a música que acompanhava o Sonic.
Mostrei-lhe uns cd's. Feist, Jamie Cullum, John Lennon. Morreu de amores pela Imagine, e adormecemos a cantar Imagine all the people..living for today..
A voz, não é de certeza o seu ponto mais forte. Desafina, a minha pequenina.
Mas nem o John Lennon alguma vez cantou tão bem.
A Vera passou aqui em casa hoje cedo. Vinha tão feliz que não tive coragem nem descaramento de lhe falar sobre o que sentia. Até porque não entenderia. De qualquer forma, seria uma boa ouvinte. Sabe ouvir, aquela miúda. Abre os olhos verdes, fixa-os nos meus, e fica assim. Fala só de vez em quando, quando lhe peço opinião.
Disse-me que era maluca por gelatina de morango e fiz-lhe a vontade. Saímos de casa de mãos dadas. Ela, pequenina, de vestido branco, com uns óculos de sol amarelos. Eu, maior, perdida de mim e achada nela. Fomos de mão dada ao super-mercado comprar gelatina. A Verinha quis voltar para casa logo que pagámos a nossa sobremesa; e atravessámos a rua a correr. Como duas doidas. Contou-me que vira o Filipe na praia e que estiveram a brincar juntos. Estava radiante, os olhos quase a saltar das órbitas. Fiquei deliciada.
Preparámos tudo e quando a Vera decidiu que a gelatina devia ser virada como as panquecas, escancarámos o riso ao pensar em quantos pedaços a nossa sobremesa estaria dividida por toda a cozinha.
Tomámos banho de mangueira na varanda das traseiras, jogámos na minha velhinha Mega Drive e ficámos a cantarolar a música que acompanhava o Sonic.
Mostrei-lhe uns cd's. Feist, Jamie Cullum, John Lennon. Morreu de amores pela Imagine, e adormecemos a cantar Imagine all the people..living for today..
A voz, não é de certeza o seu ponto mais forte. Desafina, a minha pequenina.
Mas nem o John Lennon alguma vez cantou tão bem.
30.7.05
Conheci uma menina (V)
Nunca a tinha visto assim. Encontrei-a no jardim ao lado da escola. Estava suja dos pés à cabeça pequenina. O vestido outrora branco com uma mancha de gelado, quase puído. Os caracóis sem o brilho habitual daquele cabelo escuro. Tudo ao contrário.
Sentámo-nos na relva áspera e desejei mais que tudo naquela altura que a seca fosse uma miragem. A relva estaria macia. Viva.
A Vera começou a contar-me, antes de lhe perguntar o que quer que fosse, que perdera 3 botões do vestido e que a mãe lhe dissera com uma expressão severa, ironicamente falsa, que não havia problema. Sentira-se, então, culpada.
Fiquei na dúvida daquilo que eu própria sentia. Senti a estupidez toda e o absurdo de não ser eu a mãe daquela Vera. Que me caíra na vida com o mesmo impacto de um meteorito e o encaixe de água entre areia. Mas sabia que não gostava de miúdos. Toda a vida o dissera.
Disse-lhe: "Oh Verinha, não sejas tola. Vamos comprar um vestido. Branco, pode ser? Nunca te vi de branco."
E depois quase morri de espanto quando a Vera me respondeu: "Adoro a tua imperfeição."
Sentámo-nos na relva áspera e desejei mais que tudo naquela altura que a seca fosse uma miragem. A relva estaria macia. Viva.
A Vera começou a contar-me, antes de lhe perguntar o que quer que fosse, que perdera 3 botões do vestido e que a mãe lhe dissera com uma expressão severa, ironicamente falsa, que não havia problema. Sentira-se, então, culpada.
Fiquei na dúvida daquilo que eu própria sentia. Senti a estupidez toda e o absurdo de não ser eu a mãe daquela Vera. Que me caíra na vida com o mesmo impacto de um meteorito e o encaixe de água entre areia. Mas sabia que não gostava de miúdos. Toda a vida o dissera.
Disse-lhe: "Oh Verinha, não sejas tola. Vamos comprar um vestido. Branco, pode ser? Nunca te vi de branco."
E depois quase morri de espanto quando a Vera me respondeu: "Adoro a tua imperfeição."
25.7.05
Sina
Esperam-me 3 dias a ver bifas de banhas à mostra, holandeses bêbedos, ingleses bêbedos e bifas de banhas à mostra.
É óbvio eu sei.
Algarve here we (hic!) go. (hic!).
É óbvio eu sei.
Algarve here we (hic!) go. (hic!).
24.7.05
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