24.4.06

Intoxicação 11

Tudo o que não tem raízes, devia poder voar.

22.4.06

ao olhar para trás, perdi-me.

Eu sabia que o dia não me seria fiel, por isso, demorei a acordar. Por isso, esperei com a calma possível, que a noite se encarregasse disso.
Eram duas da manhã e a noite não chegava. Eram três da manhã e demorava a chegar.

Às quatro saí à procura de qualquer coisa e decidi-me que não voltaria atrás. Nunca mais. Não voltaria a olhar para trás. Nunca mais.

21.4.06

spotting.












17.4.06

Conheci uma menina (XVI)

Eram cinco ou seis da tarde. O dia mostrava o sol, sem medo. O vento ficara para trás, mais lento que nós. A estrada era seca, deserta de gente.. e o que quer que víssemos não nos fazia querer parar. Eu ao volante, a Vera ao lado.
Ela, de pele já morena, vestido branco - salgado, dormia encostada à porta do jipe enquanto as mãos pequeninas brincavam com o cabelo seco e estragado.
Eu, de pele seca - salgada e morena, seguia de janela aberta à espera que o caminho me mostrasse poiso.
O dia tinha sido exaustivo. Praia desde cedo, muito mar, muita areia. Muito não-sei-quê que cansa e torna o suposto descanso tão impossível. Bóias, castelos, raquetes, conchas, búzios, sumos, sandes, bóias, castelos, raquetes, conchas, búzios..
E agora o jipe branco levava-nos pela costa alentejana abaixo.
Parámos, por fim, ao pé de uma paragem de autocarro, deserta de clientes - para onde vai um autocarro ali? Havia uma banca de melancias, laranjas e mais frutos que não vi.
-Quero uma melancia, por favor. Aquela - apontei.
-Faça favor, menina. Quer que abra já?
Entretanto Vera acordara e chamava por mim.
-Não sejas preguiçosa, há aqui melancia. - disse-lhe, sorrindo e olhando para as laranjas. - Pode abrir, se não se importa. - redargui ao senhor das melancias.
-Vera, prova, querida. - enquanto lhe passava uma fatia para as mãos dormentes.
Paguei e sentámo-nos no banco de quem espera pelo autocarro para não-sei-onde. Chegou, parou, abriu a porta.
-As meninas vão entrar?
-Vai para onde, Sr. motorista?
-Dizem que vai para longe - riu-se.
-Sim, para onde? - insisti.
Sorriu, e continuou a viagem. A Vera puxou-me o braço e apontou-me a matrícula ainda próxima do autocarro. Não tinha. Era uma chapa, grande, que ocupava toda a traseira. "Vou não sei para onde, levo não sei quem. Não volto." Corremos para o autocarro ainda vagaroso, enquanto o sumo da melancia nos escorria pela cara, mãos e roupa.
- Abra, por favor!
E, deixando o jipe para trás, seguimos juntas, como sempre.

6.4.06

6º Esq.


'Há decididamente algo de verdade nessa frase do mais-escuro-antes-do-amanhecer porque na manhã seguinte liguei para a clínica psiquiátrica do hospital e a minha vida começou a melhorar. A minha assistente associal, Mrs. Goldfrab, pegou num bloco e num lápis e começou a fazer uma lista de todas as drogas que eu tomara na minha vida: LSD, mescalina, Percodan, calmantes, Seconal, cocaína, ópio, anfetaminas, haxixe e marijuana. Acenou com a cabeça e comentou:
- Um belo arsenal.
Quando lhe disse que o meu agente da condicional era um estupor, ficou danada. Quando lhe disse que me sentia culpada de o Raymond se ter tornado um drogado porque fiquei grávida e lhe dei cabo da vida, ela disse-me que era um disparate. Quando lhe disse que achava que não amava o Jason, redarguiu que tinha a certeza que eu o amava. Agradou-me a revolta dela contra o Stanley Stupski mas não acreditei nas outras duas questões. Mesmo assim, era óptimo ter alguém do meu lado. Então, após dois meses de consultas semanais, classificou-me como esteta e disse:
- És muito inteligente para desperdiçares a tua vida. Devias ir para a faculdade.
Comecei a chorar.'

in Os Rapazes da Minha Vida, de Beverly Donofrio

3.4.06

take me home.



'me and you and everyone we know'.

26.3.06

perturbações.

lacuna inc.

23.3.06

Sabes..

..é que à noite, quando se ouvem os pássaros que não dormem..
..é que à noite, quando se proporciona que aconteçamos..

há poesia ilustrada.

e é surreal que o fumo nos cubra as mãos..

11.3.06

Intoxicação 10

'-morrias, se desses um sorriso?
-só se tu estivesses a ver.'

(in)adaptado.

5.3.06

Parabéns Catarina

Pretextos para fugir do real

A uma luz perigosa como água
De sonho e assalto
Subindo ao teu corpo real
Recordo-te
E és a mesma
Ternura quase impossível
De suportar
Por isso fecho os olhos
(O amor faz-me recuperar incessantemente o poder da
provocação. É assim que te faço arder triunfalmente
onde e quando quero. Basta-me fechar os olhos)
Por isso fecho os olhos
E convido a noite para a minha cama
Convido-a a tornar-se tocante
Familiar concreta
Como um corpo decifrado de mulher
E sob a forma desejada
A noite deita-se comigo
E é a tua ausência
Nua nos meus braços

*

Experimento um grito
Contra o teu silêncio
Experimento um silêncio
Entro e saio
De mãos pálidas nos bolsos



Alexandre O´Neill





19.

1.3.06

Youpi.







'Take my photo off the wall

If it just won't sing for you
'Cause all that's left has gone away
And there's nothing there for you to prove'

19.2.06

À minha janela 4


há a certeza
e o perder.
e fez-se o mundo todo
numa hora de chuva.

16.2.06

Oh-quero-lá-saber.

If you had a home it would be my eyes.

14.2.06