A música que estou a ouvir é estranha.
Mas às 6 da manhã, tudo é estranho.
Há café? É que o Sol está quase a chegar.
14.12.05
13.12.05
Reflexão
E troco os dias pelas noites sem o medo (simpático, infantil e razoável) de perder a luz de vista. 'Nem a todos os que vagueiam lhes falta o rumo.' E nem a mim, que não o tenho, tive ou estou perto de ter.
E estou há quase três meses em casa. De início, pensei estar a mentir a mim mesma. "Como é que me posso sentir em casa se estou aqui há tão pouco tempo?". Mas não. Continuo na busca incessante de mim. Continuo na busca incessante de que me olhem. Que olhem com olhos de "porquê". (E eu a escrever isto, eu que sempre abominei ler sobre isto!). Faço-me difícil àquilo que não conheço, e muito mais, àquilo que me toca e assusta. É a minha natureza. Mas sou branda de orgulho e reconheço aquilo que me faz bem. E isto faz-me bem.
É muito complicado explicar aquilo que nos leva a manter um blog. Muito mais, será explicar o porquê de manter um blog durante 2 anos. Impossível, quase, de explicar o porquê de uma escrita tão pessoal e intimista, tão aberta ou fechada como a minha, a que se tem acesso público. Não é a necessidade de exposição, haveria métodos melhores e mais eficazes. Penso que seja um vício.
Parece-me bem então, que seja apenas ao fim de dois anos e tal, que escrevo aqui, o primeiro post em que sou só eu. É provável que seja aquele que ninguém lê. É tão provável que seja o que ninguém lê como é tão pouco provável que me olhem com olhos de ver. É muito melhor ler coisas metaforizadas. É muito melhor tentar encontrar um sentido em qualquer coisa abstracta. É muito melhor imaginar a Vera, sem encontrar explicações lógicas para aquilo que criei. É muito melhor admirar a Vera e admitir até que ela possa existir, do que admitir que existe alguém tão bom ou tão mau para a criar. É mais fácil, admitir a existência que não se entende do que aquela que se conhece.
Bem cedo, bem mais acima - as desistências. Mas nunca escrevi para ninguém ler. Mentira. A cegueira e perda de sentido levam-nos a desencontros connosco próprios e algumas vezes pensei que alguém tomava atenção àquilo que dizia. Mas somos todos tão egoístas que só ouvimos aquilo que dizemos; e muito mais, quando o negamos.
(Shhhh..sou uma diletante, uma amante e uma inconsistente.)
E estou há quase três meses em casa. De início, pensei estar a mentir a mim mesma. "Como é que me posso sentir em casa se estou aqui há tão pouco tempo?". Mas não. Continuo na busca incessante de mim. Continuo na busca incessante de que me olhem. Que olhem com olhos de "porquê". (E eu a escrever isto, eu que sempre abominei ler sobre isto!). Faço-me difícil àquilo que não conheço, e muito mais, àquilo que me toca e assusta. É a minha natureza. Mas sou branda de orgulho e reconheço aquilo que me faz bem. E isto faz-me bem.
É muito complicado explicar aquilo que nos leva a manter um blog. Muito mais, será explicar o porquê de manter um blog durante 2 anos. Impossível, quase, de explicar o porquê de uma escrita tão pessoal e intimista, tão aberta ou fechada como a minha, a que se tem acesso público. Não é a necessidade de exposição, haveria métodos melhores e mais eficazes. Penso que seja um vício.
Parece-me bem então, que seja apenas ao fim de dois anos e tal, que escrevo aqui, o primeiro post em que sou só eu. É provável que seja aquele que ninguém lê. É tão provável que seja o que ninguém lê como é tão pouco provável que me olhem com olhos de ver. É muito melhor ler coisas metaforizadas. É muito melhor tentar encontrar um sentido em qualquer coisa abstracta. É muito melhor imaginar a Vera, sem encontrar explicações lógicas para aquilo que criei. É muito melhor admirar a Vera e admitir até que ela possa existir, do que admitir que existe alguém tão bom ou tão mau para a criar. É mais fácil, admitir a existência que não se entende do que aquela que se conhece.
Bem cedo, bem mais acima - as desistências. Mas nunca escrevi para ninguém ler. Mentira. A cegueira e perda de sentido levam-nos a desencontros connosco próprios e algumas vezes pensei que alguém tomava atenção àquilo que dizia. Mas somos todos tão egoístas que só ouvimos aquilo que dizemos; e muito mais, quando o negamos.
(Shhhh..sou uma diletante, uma amante e uma inconsistente.)
10.12.05
O bom dentro do péssimo (II)
Se até ontem havia alguma dúvida sobre quem devia ser vendido em Dezembro, Liedson desfez todos os equívocos.
8.12.05
heartbeats
One night to be confused
One night to speed up truth
We had a promise made
Four hands and then away
Both under influence we had divine scent
To know what to say
Mind is a razorblade
To call for hands of above to lean on
Wouldn't be good enough for me
One night of magic rush
The start: a simple touch
One night to push and scream
And then relief
Ten days of perfect tunes
The colours red and blue
We had a promise made
We were in love
And you, you knew the hand of a devil
And you kept us awake with wolves teeth
Sharing different heartbeats in one night
jose gonzalez - heartbeats
One night to speed up truth
We had a promise made
Four hands and then away
Both under influence we had divine scent
To know what to say
Mind is a razorblade
To call for hands of above to lean on
Wouldn't be good enough for me
One night of magic rush
The start: a simple touch
One night to push and scream
And then relief
Ten days of perfect tunes
The colours red and blue
We had a promise made
We were in love
And you, you knew the hand of a devil
And you kept us awake with wolves teeth
Sharing different heartbeats in one night
jose gonzalez - heartbeats
desiderata
"caminha placidamente por entre o ruído e a pressa, e lembra-te da paz que existe no silêncio. tenta, na medida do possível, estar de bem com todos. exprime a tua verdade com tranquilidade e clareza. escuta quem te rodeia, inclusive as pessoas desinteressantes e incultas; também elas têm uma história para contar. evita gente conflituosa e agressiva, que tanto mal faz ao espírito. se te comparares com os outros, poderás tornar-te amargo ou arrogante, pois haverá sempre alguém melhor e pior do que tu. regozija-te com as tuas conquistas e os teus projectos. mantém vivo o interesse pela tua carreira, por mais humilde que seja; é um verdadeiro bem nesta época de constante mudança. sê prudente nos teus negócios - o mundo está cheio de armadilhas. mas não feches os olhos à virtude que existe em teu redor, nem às pessoas que defendem os seus ideais e lutam por valores mais altos - a vida está cheia de heroísmo. sê tu próprio. acima de tudo, não sejas falso, nem cínico em relação ao amor que, face a tanta aridez e desencanto, se mantám perene como uma haste de erva. aceita com serenidade a passagem do tempo, sabendo deixar graciosamente para trás as coisas da juventude. cultiva a frça de espírito, para te protegeres de azares inesperados. mas não te atormentes a imaginar o pior. muitos medos nascem do cansaço e da solidão. mantém uma autodisciplina saudável, mas sê benevolente contigo mesmo. és um filho do Universo, como as árvores e as estrelas; tens todo o direito ao teu lugar no mundo. poderá não ser claro para ti, mas a verdade é que o Universo está a evoluir como previsto. é importante, assim, que estejas em paz com Deus, seja qual for a tua concepção d'Ele, e em paz com a tua alma, sejam quais forem os teus anseios e aspirações no ruidoso tumulto da vida. apesar de todos os enganos, dificuldades e desilusões, vivemos num mundo bonito. alegra-te. luta pela tua felicidade."
Max Ehrmann
Max Ehrmann
7.12.05
Conheci uma menina (XII)
Saímos de casa sempre cedo, de manhã. Somos a única coisa a brilhar nesta rua.
Somos sozinhas. Esperámos pelo autocarro, como sempre. E como sempre, empalidecemos ao frio claro.
O teu casaco de tweed verde e o meu gorro cor-de-rosa davam nas vistas. Entramos para o calor que, agora cedo, ainda nao cheira a gente.
Chegamos não sei onde, a não sei que horas. Bebemos, a Vera e eu, um chocolate quente duma máquina de moedas. Importa pouco, o sítio onde estamos, porque não vejo mais nada.
Damos as mãos desenluvadas e andamos durante aquilo que me parecem 1 ou 2 horas.
Para quem passa, levo uma filha pela mão.
Para quem, como eu, olha para trás, é só uma miragem..
(E sigo pela Rua do Norte. Não faço ideia de para onde é o Norte, mas este é um sítio que importa. É bom.)
Somos sozinhas. Esperámos pelo autocarro, como sempre. E como sempre, empalidecemos ao frio claro.
O teu casaco de tweed verde e o meu gorro cor-de-rosa davam nas vistas. Entramos para o calor que, agora cedo, ainda nao cheira a gente.
Chegamos não sei onde, a não sei que horas. Bebemos, a Vera e eu, um chocolate quente duma máquina de moedas. Importa pouco, o sítio onde estamos, porque não vejo mais nada.
Damos as mãos desenluvadas e andamos durante aquilo que me parecem 1 ou 2 horas.
Para quem passa, levo uma filha pela mão.
Para quem, como eu, olha para trás, é só uma miragem..
(E sigo pela Rua do Norte. Não faço ideia de para onde é o Norte, mas este é um sítio que importa. É bom.)
26.11.05
Outra passagem a que não sei dar título.
"Ele sorriu. Pelo menos, eu diria que era um sorriso. Enfim, de um leque de interpretações possíveis, eu sentia-me inclinado a achar que se tratava de um sorriso".
In Os Surfistas, Rui Zink
In Os Surfistas, Rui Zink
20.11.05
A (im?)parcialidade a que os comentadores da TVI nos habituaram
Acerca de uma falta cometida e não assinalada sobre Nani (jogador do Sporting), dentro da grande área, no jogo contra o Penafiel:
"Nani tem obrigação de aguentar esta entrada.."
"Nani tem obrigação de aguentar esta entrada.."
19.11.05
À minha janela
Levam
nos bolsos de cada um,
a esperança de todos.
qualquer outra aterragem,
diz a miragem,
será melhor porto de abrigo.
nos bolsos de cada um,
a esperança de todos.
qualquer outra aterragem,
diz a miragem,
será melhor porto de abrigo.
13.11.05
Conheci uma menina (XI)
Chego sem pressa. Às 5:47. Abro a porta com o desejo surreal e absurdo de que o sítio onde me encontro fosse uma qualquer cidade dos filmes, onde as pessoas são assaltadas à porta de casa. Subo as escadas de pedra devagar. 20, 30 anos. Subimos e descemos todos os dias e ainda não estão brilhantes e polidas como as pedras da rua. Mas as pedras da rua passam por mais vidas. Maior o desgaste.
-Mãe, cheguei.
-Oh filhota, tudo bem? Apanhaste nevoeiro? - pergunta com falsa preocupação. Estou em casa, de saúde: não quer saber de mais nada. São apenas perguntas do hábito. No fundo, só quer que eu diga que não apanhei nevoeiro e que, de qualquer modo, conduziria devagar.
-Não, e vim devagar, de qualquer maneira..-respondo sem paciência.
Finalmente, o meu quarto. Entro na toca, acendo uma luz fraca. Estou impestada de fumo. A minha roupa, eu e tudo à minha volta, tresanda a tabaco queimado, fumado. Desarrumo o quarto com aquilo que parece, a quem entra de repente, uma lixeira de roupa.
Não encontro o meu pijama e noto finalmente que alguém já dorme naquela que costuma ser a minha cama. Sorrio para dentro e para fora. O cabelo escuro, brilhante e encaracolado, não engana ninguém. Descubro por fim, o meu pijama, já vestido nela. Deito-me ao lado da Vera e finjo que o meu sono dura há horas. Talvez assim me prolongue aquilo que seria a manhã quente.
-Mãe, cheguei.
-Oh filhota, tudo bem? Apanhaste nevoeiro? - pergunta com falsa preocupação. Estou em casa, de saúde: não quer saber de mais nada. São apenas perguntas do hábito. No fundo, só quer que eu diga que não apanhei nevoeiro e que, de qualquer modo, conduziria devagar.
-Não, e vim devagar, de qualquer maneira..-respondo sem paciência.
Finalmente, o meu quarto. Entro na toca, acendo uma luz fraca. Estou impestada de fumo. A minha roupa, eu e tudo à minha volta, tresanda a tabaco queimado, fumado. Desarrumo o quarto com aquilo que parece, a quem entra de repente, uma lixeira de roupa.
Não encontro o meu pijama e noto finalmente que alguém já dorme naquela que costuma ser a minha cama. Sorrio para dentro e para fora. O cabelo escuro, brilhante e encaracolado, não engana ninguém. Descubro por fim, o meu pijama, já vestido nela. Deito-me ao lado da Vera e finjo que o meu sono dura há horas. Talvez assim me prolongue aquilo que seria a manhã quente.
Intoxicação 7
Reflicto, atento demoradamente nisto e chego sempre à mesma conclusão.
Acredito que a felicidade não é um estado. É talvez uma demonstração de inteligência por parte daqueles que sabem recolher daquilo que nos rodeia, tudo o que é bom. E páro. Penso de novo. A inteligência também não é absoluta. Reflicto. Deixo-me levar naqueles que são os fios de pensamento a que me habituei. Páro. Tem de haver uma quebra. Catarina, segue um caminho diferente. Sigo, penso, mergulho em mais nada. Na abstracção de tudo o que consegui.
Desisto. Assino por baixo. É a minha conclusão. Ou apenas uma das minhas eternas interrogações. Teremos todos a sorte de, um dia, num momento qualquer, não duvidarmos que a felicidade que sentimos é a maior do Universo?
Acredito que a felicidade não é um estado. É talvez uma demonstração de inteligência por parte daqueles que sabem recolher daquilo que nos rodeia, tudo o que é bom. E páro. Penso de novo. A inteligência também não é absoluta. Reflicto. Deixo-me levar naqueles que são os fios de pensamento a que me habituei. Páro. Tem de haver uma quebra. Catarina, segue um caminho diferente. Sigo, penso, mergulho em mais nada. Na abstracção de tudo o que consegui.
Desisto. Assino por baixo. É a minha conclusão. Ou apenas uma das minhas eternas interrogações. Teremos todos a sorte de, um dia, num momento qualquer, não duvidarmos que a felicidade que sentimos é a maior do Universo?
Perfeitamente incapaz de escolher título apropriado.
"-Eu também - diz ele. Com um tremidinho no olho e só espero do fundo do coração que não se ponha a chorar.
Resisto ao impulso de o ver pelo retrovisor. Quando chego ao primeiro cruzamento, vou a soluçar de tal maneira que tenho de enconstar à berma. Ocorre-me que nunca na minha vida me senti tão sozinha. Curvo na direcção de Wallingford e quando vejo o velho reservatório a aproximar-se sinto-me muito mais calma. Decido passar a noite em casa dos meus pais mas quando chego à entrada da interestadual já mudei de ideias. Viro para sul e vou para casa."
In Riding in Cars with Boys, Beverly Donofrio
Resisto ao impulso de o ver pelo retrovisor. Quando chego ao primeiro cruzamento, vou a soluçar de tal maneira que tenho de enconstar à berma. Ocorre-me que nunca na minha vida me senti tão sozinha. Curvo na direcção de Wallingford e quando vejo o velho reservatório a aproximar-se sinto-me muito mais calma. Decido passar a noite em casa dos meus pais mas quando chego à entrada da interestadual já mudei de ideias. Viro para sul e vou para casa."
In Riding in Cars with Boys, Beverly Donofrio
6.11.05
Conheci uma menina (X)
Soube, sem medo nem perdão possíveis que passaria a próxima semana comigo.
Entre fogo de artifício, bombas nucleares, furacões e tempestades, o meu peito sentiu tudo.
Neguei, neguei, neguei que te queria para mim. Mas a tua chegada, o pedido quase implorado de uma visita ao jardim Zoológico e o gelado de baunilha, deixaram-me estarrecida. Fora vencida por mim mesma.
Por isso nunca sei se és tu, Vera, essa outra parte que me vence; ou se sou apenas a alucinação que essa outra parte persegue.
Entre fogo de artifício, bombas nucleares, furacões e tempestades, o meu peito sentiu tudo.
Neguei, neguei, neguei que te queria para mim. Mas a tua chegada, o pedido quase implorado de uma visita ao jardim Zoológico e o gelado de baunilha, deixaram-me estarrecida. Fora vencida por mim mesma.
Por isso nunca sei se és tu, Vera, essa outra parte que me vence; ou se sou apenas a alucinação que essa outra parte persegue.
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